Feb 21

Mosaico - Parte 4

Havia acordado com o pressentimento de que algo aconteceria. Ainda lhe era inefável cada linha do que seria escrito. Era como se tivesse uma carta em suas mãos, rasgada em muitos pedacinhos, como peças de um quebra cabeça bem na frente de seus olhos. Não tinha nenhuma previsão, era algo grande até onde podia sentir.

A atmosfera se tornara opressora, sua única certeza era a certeza de que sua pequenina dormia. Apenas isso e queria saber mais, queria ter a certeza de que alguns sonhos não a perseguiam, porém já havia amadurecido o bastante para saber o quanto os sonhos podem ser imprevisíveis. Uma das maiores regras, uma constante, o desatino como sua veste corriqueira. Era muito difícil controlar e se manter distante, mesmo que uns passos, da demência.            

Confiava na sua pequenina, parte por causa de um amor materno e em muito porque conseguia ver algo que apenas conseguiu ver em sua própria mãe. A pequena tinha aquela força de vontade aliada à paciência que podia muito bem passar dias, anos, e até mesmo décadas esperando o momento de vencer uma batalha. O tipo de guerreira que as armas são peças de xadrez.

Ela observava aquela noite como se a resposta fosse vir com o vento. No fim a vida sempre dava alguma resposta, o problema era quando tínhamos feito uma pergunta e não queríamos aquela resposta tão sincera assim.

Dessa forma foi que o vento espalhou aqueles pequenos pedaços de mistério e formaram uma imagem em sua mente. Muito limpo e verdadeiro, muito absoluto, muito pacífico e assustador. Talvez fosse a morte, talvez fosse o momento de torcer que o inevitável encontre algum atraso.

Mosaico - Parte 3

Observava aquela miscelânea de fotos pousadas na cama como se fossem o quadro de sua vida. Pelo menos as partes boas e somando tudo só conseguia extrair umas 20 fotos. Com exceção daquelas fotografias a sua vida era baseada em tudo que lhe dava vontade de esquecer. Nada fotográfico, seguia por uma estrada de volta e talvez fosse também sua via para uma fuga, mesmo que fosse temporário, queria aquelas cores, sentia falta dos traços que roubavam a monotonia daquele lençol sem graça.

Ele estava em um hotel de estrada. Uma estrada que o levaria para casa, que ele entendia como apenas um lugar em que se possa dormir, onde os pesadelos permanecem justamente apenas em seus sonhos.

Naquela noite iria cavalgar sua velha moto, apenas armado com um punhado de fotos e de um desejo, um desejo capaz de mover um homem através dos oceanos. 

Feb 15

Mosaico - Parte 2

Um rastro que a vida transforma nesses ladrilhos a se perder de vista, num caminho de mão única. E nem tudo parece que existiu ou aconteceu, mas está lá, sentimos aquela peça em algum lugar. Algum lugar que dói entre saudades e possui o poder de apertar nossas gargantas, roubar-nos o fôlego. Aqueles velhos sonhos transcritos em realidade e vivenciados, marcados em alguma parte desse caminho. Somente palpável na medida de cada lembrança. Confesso que poderia morrer em tristezas e entre saudades mas não me é possível… Porque ter vivenciado me trouxe um ânsia de ir até o fim, talvez por medo de que um fim venha ou então apenas porque me decidi escrever essa história muito mais por meus feitos do que os feitos que esse rastro me impulsiona. 

Me vem um sorriso quando meus pés riscam os próximos passos, quando não foi por causa da música, quando não foi apenas um embalo de um ritmo e sim porque eu apenas sabia exatamente onde eu queria, ou mesmo deveria, chegar nessa dança.

Fácil para quem tem olhos fechados vindos de fábrica :)

Fácil para quem tem olhos fechados vindos de fábrica :)

(via emyle)

Carnaval

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Apr 24

Apr 23

Mosaico

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"Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho." (C.S. Lewis)

"Pensava que nós seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. O nosso ir faz o caminho." (C.S. Lewis)